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riscos_e_rabiscos

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A Abstenção.

Parece ser já tradição nas eleições portuguesas, um elevado nível de abstenção. E eu até percebo isso. Embora haja palavras de incentivo ao voto, apelos ao exercício da cidadania, comentários que tentam colocar "peso" na consciência de quem se abstém, as pessoas não se se sentem motivadas para o voto.

 

Já se sabe que só existem duas forças políticas com força suficiente para ficar à frente de Portugal. E já se sabe que é sempre o mesmo. E grande parte dos portugueses já não têm fé, esperança ou confiança nestas forças políticas, já não acreditam na possibilidade de haver uma reviravolta justa e que não penalize sempre os mesmos - os pobres - e deixe os ricos intocáveis.

 

Mas porque é que vou votar? São todos iguais, muda-se a cor mas o governo do país é sempre igual, com os mesmos erros e com as mesmas ideias megalómanas. E Não me venham cá dizer que o meu voto faz falta para derrotar os que lá estavam e para colocar lá outros. Mas para quê o meu voto, se a comunicação social já atribuiu a vitória ao fulano que lá está? Já nem vale a pena sair de casa para ir votar a cascos de rolha.

É esta a perspectiva de muitos portugueses.

 

Na minha opinião, o povo português não é competitivo, não alinha em desafios tipo "está a ganhar A, vamos lá todos votar para ganhar B". Se já ganhou A, o B também não é melhor, por isso, vou para a praia apanhar um bronzezinho ou vou até ao café comer um pires de caracóis e beber uma bejeca. Isto faze parte da mentalidade de muitos tugas.

 

Acredito que Portugal só teria uma reviravolta real e efectiva se todos os que estão no governo saissem e entrassem elementos novos, que ainda não estivessem habituados ao tacho e ao assento fofinho da cadeira que ocupam.

 

Parece-me que se mudam as moscas mas o resto fica igual. Espero que me provem e comprovem com factos reais que estou enganada.

 

Portugal sim, bem governado, justo e com governantes que se preocupesm com o povo e não com os tachos ou o seu próprio umbigo. Eu continuo a ter orgulho em ser portuguesa. Ainda.

Porque Não?!

  The Great Depression

 

Não sou grande fã de política e raramente ou nunca escrevo sobre isso no meu blog. Mas hoje, no telejornal do almoço, ouvi falar da proposta do PSD do “tributo solidário”, que me agradou de alguma forma. Agora quando cheguei a casa, vi que esta proposta tinha sido chumbada pela Assembleia da República.

 

Lamentei profundamente. E porquê? Porque este país está à beira do abismo, o nosso dinheiro ao fim do mês está cada vez mais curto – para alguns -, vejo muita gente a viver à conta dos meus descontos brutais sem fazer a ponta de um corno, passar os dias de dentes ao sol e esforço para arranjar trabalho é nulo. E se eu precisar de um subsídio de desemprego, tendo uma carreira contributiva regular, vamos lá ver se mo dão…

 

Não estou contra quem recebe subsídios de desemprego devidamente. Também já estive desse lado e sei bem como é: frustração, nervos, desesperança. O que me chateia tremendamente é o facto de uns receberem subsídios de desemprego fraudulentos e outros do rendimento social de inserção com rendimentos mensais superiores ao meu. E a “comerem-me” os meus descontos. É como diz alguém do PSD "uns trabalham e contribuem e outros vivem tantas vezes de meros expedientes e de fraudes prestacionais".

 

Viveu aqui uma mulher numa casa do bairro de realojamento que tem um filho de cada pai (e um dos filhos dela foi meu aluno). E são alguns cinco ou seis, os que estão com ela. Ninguém trabalha, mesmo aqueles que já têm idade e que não estão a estudar. E porquê? Porque vivem do rendimento de inserção social e dos abonos dos filhos. Ora, seu me dessem o mesmo que a esta mulher, eu também não mexia uma palha.

 

Iam todos os dias ao café, pelo menos duas vezes por dia: uma de manhã para todos tomarem o pequeno-almoço e outra ao lanche. Houve um dia que eu e um filho dela fomos pagar ao mesmo tempo. A despesa deles foi dezassete euros e qualquer coisa. Agora façam as contas: multipliquem este valor por dois e o resultado que obtiverem por trinta. Esse valor é o dobro do meu ordenado!

 

Outro dia, fui ao multibanco. Quem estava à minha frente era o filho mais velho, a mãe tinha ficado mais distante. Ao sair da máquina, voltou-se para a mãe e gritou “ainda tens dois mil e tal euros!”. Eu pensei cá com os meus botões ”bolas, isso não tenho eu na minha conta e farto-me de trabalhar…”

 

Agora pergunto eu, que mal tinha estas pessoas praticarem 15 ou 20 horas semanais de serviço social ou de formação profissional? Não era esta uma forma de aproximar estas pessoas do mercado de trabalho, de lhes dar uma oportunidade de ganhar experiência/formação nalguma área? Parece que não.

 

É muito melhor ver os ciganos a traficar droga nas nossas barbas, ou vê-los passear com bólides extraordinários, tipo Saabs, últimos modelos de Mercedes, e por aí afora. Mas a culpa não é deles, é do governo que permite. E toda a gente sabe que eles para comprarem um automóvel ou uma casa (como se o fizessem), fazem-no com dinheiro na mão porque ninguém se fia deles.

 

Agora expliquem-me, como podemos sair desta crise se quem aperta o cinto são sempre os mesmos?